O treino AB divide os grupos musculares em duas sessões alternadas (A e B), sendo indicado principalmente para iniciantes como base de adaptação, mas também usado por avançados em fases de menor disponibilidade de tempo. Pode ser feito de 2 a 6 vezes por semana, dependendo do nível e da recuperação de cada praticante.

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A divisão AB é uma das primeiras rotinas de treino que a maioria dos praticantes de musculação experimenta. É simples de montar, fácil de seguir e cumpre bem o papel de preparar o corpo para fases de treino mais intensas.

O que é o treino AB

Na divisão AB, os grupos musculares são separados entre dois dias alternados de treinamento. Segundo Prestes et al. (2016), esse tipo de montagem é classificado como “alternada por segmento parcial”, já que nem todos os grupos musculares são trabalhados no mesmo dia.

O objetivo principal é melhorar o condicionamento físico geral, a coordenação motora e a resistência muscular, montando uma base para treinos com maior grau de dificuldade mais adiante.

Vantagens e desvantagens

Vantagens:

  • Maior frequência de estímulo semanal para cada grupo muscular
  • Facilita a adaptação inicial ao treino resistido
  • Prioriza exercícios multiarticulares, recrutando grandes grupos musculares

Desvantagens:

  • Menor especificidade por grupo muscular
  • Volume limitado por sessão, para não comprometer a recuperação
  • Ganhos de força e massa muscular menos evidentes que em divisões mais segmentadas

Como dividir os grupos musculares

Existem várias formas de organizar a divisão AB. Uma das mais comuns separa o treino entre membros superiores/abdômen e membros inferiores/eretores da espinha:

Treino ATreino B
PeitoralQuadríceps
DorsaisIsquiotibiais
DeltoidesPanturrilha
AbdômenEretores da espinha

Outra divisão comum na prática: treino A com peitoral, deltoides, tríceps, quadríceps e panturrilha; treino B com dorsais, bíceps, isquiotibiais, eretores da espinha e abdômen. Não existe uma única forma correta, a divisão deve respeitar a individualidade de cada praticante.

Ficha de treino AB para iniciantes

Volume reduzido e repetições mais altas, priorizando a adaptação anatômica antes de subir a intensidade.

Treino A
MúsculoExercícioSériesRepetições
PeitoralSupino reto2 a 315 a 20
DorsalRemada no aparelho2 a 315 a 20
DeltoideDesenvolvimento2 a 315 a 20
AbdômenAbdominal reto no solo2 a 315 a 20
Treino B
MúsculoExercícioSériesRepetições
QuadrícepsLeg press2 a 315 a 20
IsquiotibiaisCadeira flexora2 a 315 a 20
PanturrilhaFlexão plantar em pé2 a 315 a 20
Eretores da espinhaExtensão de tronco no banco romano2 a 315 a 20

Frequência sugerida (2 dias): terça (A) e quinta (B). Frequência sugerida (3 dias): segunda (A), quarta (B), sexta (A) — alternando o início a cada semana. Para iniciantes, mais do que 3 dias semanais nessa fase costuma ser contraproducente, já que o corpo ainda não está adaptado ao estresse do treino.

Ficha de treino AB para intermediários e avançados

Aqui a frequência por grupo muscular sobe, então o volume por sessão precisa ser reduzido para não comprometer a recuperação.

Treino A
MúsculoExercícioSériesRepetições
PeitoralSupino reto com halteres38 a 10
DeltoidesDesenvolvimento com halteres38 a 10
TrícepsTríceps na polia38 a 10
QuadrícepsAfundo38 a 10
PanturrilhaFlexão plantar no Smith38 a 10
Treino B
MúsculoExercícioSériesRepetições
DorsaisBarra fixa38 a 10
RombóidesRemada pegada pronada38 a 10
BícepsRosca direta38 a 10
IsquiotibiaisStiff38 a 10
AbdômenFlexão de tronco na máquina38 a 10

Frequência sugerida: segunda (A), terça (B), quarta descanso, quinta (A), sexta (B). Em fases pontuais, é possível repetir a rotina por 6 dias seguidos para variar o estímulo, mas manter isso por muito tempo tende a prejudicar a recuperação.

Ficha de treino AB feminino

Divisão com membros inferiores no treino A e superiores no treino B, respeitando a prioridade que boa parte do público feminino dá aos glúteos e pernas — sem deixar de treinar a parte superior.

Treino A
MúsculoExercícioSériesRepetições
QuadrícepsAgachamento3 a 48 a 10
IsquiotibiaisMesa flexora3 a 48 a 10
AdutoresCadeira adutora3 a 48 a 10
GlúteoElevação pélvica3 a 48 a 10
PanturrilhaFlexão plantar no leg press3 a 48 a 10
Treino B
MúsculoExercícioSériesRepetições
PeitoralSupino reto3 a 48 a 10
DorsaisRemada baixa3 a 48 a 10
DeltoidesDesenvolvimento com halteres3 a 48 a 10
AbdômenFlexão de tronco na máquina3 a 48 a 10
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A ausência de exercícios isolados de bíceps e tríceps no treino B é proposital: eles já são recrutados como sinergistas nos multiarticulares. Se quiser, é possível incluir um exercício de cada, sem prejuízo para o restante da ficha.

Técnicas de intensidade para avançados

Por ter menos volume por sessão, o treino AB avançado costuma se beneficiar de técnicas que aumentam a intensidade sem aumentar o número de exercícios: drop-set, rest-pause, superslow e repetições parciais.

Leia também: Treino ABC de Hipertrofia, para quando o AB deixar de ser suficiente, e Creatina, para quem quer otimizar o desempenho nas sessões.

Perguntas frequentes sobre o treino AB

Quantas vezes por semana devo fazer o treino AB?

De 2 a 6 vezes, dependendo do nível de condicionamento. Iniciantes costumam se beneficiar mais de 2 a 3 dias semanais; avançados podem chegar a 5 ou 6 dias em fases pontuais.

Treino AB serve para hipertrofia ou só para iniciantes?

Serve para os dois casos. Para iniciantes, funciona como base de adaptação. Para avançados, é uma opção válida em fases de menor tempo disponível, desde que a intensidade seja bem ajustada.

Quando devo migrar do treino AB para o ABC?

Não existe um prazo fixo. A mudança de nível está mais ligada à evolução física e à resposta ao treino atual do que ao tempo corrido. Um profissional de Educação Física consegue avaliar isso de forma individual.

Conclusão

O treino AB pode parecer simples demais para quem já tem alguma experiência, mas dentro de uma boa periodização, cada etapa tem sua função. Para iniciantes, ele prepara o corpo para estímulos mais intensos; para avançados, é uma ferramenta útil em fases específicas.

Converse com um profissional de Educação Física para ajustar a divisão, o volume e a progressão de carga ao seu nível e aos seus objetivos.

  • PRESTES, J. et al. Prescrição e periodização do treinamento de força em academias. 2ª edição. Barueri, SP: Editora Manole, 2016.

Nossa equipe está muito bem representada por grandes profissionais ligados a musculação e esportes de alto rendimento. Contamos com Educadores físicos, Nutricionistas Esportivos, Fisioterapeutas e Médicos.

3 Comentários

  1. O correto é fazer uma boa periodização com picos de intensidades. Dessa forma o personal vai saber a hora de dar estímulos para o próximo nível do
    treinamento.

  2. Parabéns pelo conteúdo, muito bom!
    Sou iniciante. Uma vez que eu começar a treinar 3x por semana, qual seria o tempo de adaptação? Em quanto tempo eu passaria para um treino intermediário?

    • Equipe Grande Atleta em

      Depende de muitas variáveis…a questão de mudança de nível, como iniciante a intermediário não está ligado a tempo e sim evolução do físico…Não existe uma regra geral para todos, cada aluno tem suas particularidades que devem ser acompanhada por um profissional para saber em relação a mudança de treinos e tempo de adaptação.

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